Oi e Vtal, um relacionamento tóxico que se transformou em “crime passional”?

 Todos os pontos abordados aqui refletem questionamentos de acionistas da Oi.

 

Podemos entender um relacionamento tóxico como aquele em que uma ou ambas as partes apresentam padrões de comportamento prejudiciais, destrutivos ou abusivos, gerando mais sofrimento e “ônus” do que felicidade e “bônus”.

 

Ao observar a relação entre a Oi e a Vtal, é possível traçar um paralelo com esse tipo de dinâmica. Atualmente, a Oi atravessa uma situação bastante delicada: recentemente, chegou a ter sua falência decretada em primeira instância. No entanto, após manifestações e pedidos de instituições como Itaú e Bradesco, a decisão acabou sendo revertida.

 

INCORPORAÇÃO GLOBENET A VTAL

 

O início dessa relação entre as empresas remonta a 2022, quando um grupo de fundos do BTG adquiriu 51% da V.tal por R$ 12,923 bilhões. No entanto, a Oi recebeu pouco mais da metade desse valor, em razão da incorporação da Globenet à operação.

 

Com a incorporação da Globenet pela V.tal, a participação da Oi foi diluída para 42,1%, enquanto a V.tal passou a concentrar 57,9%. Além da redução na participação, houve também um abatimento de R$ 1,518 bilhão no valor que deveria ser pago à Oi.

 

No Blow Out divulgado pela Oi em 2024, ficou evidenciado que, além da perda de participação na V.tal e do desconto de R$ 1,518 bilhão, a Oi permaneceu responsável pela dívida relacionada à Globenet, no montante de R$ 5,37 bilhões.

 

 

ALUGUEL DA FIBRA PELA OI

 

No contrato, ficou previsto que, em razão dos “melhores preços” que a Oi pagaria à V.tal pelo aluguel da fibra durante os 18 meses após o fechamento da operação, a V.tal teria o direito de realizar ajustes na participação acionária da Oi na empresa.

 

Com a aplicação desse mecanismo, a participação da Oi foi reduzida para 34,7%, enquanto a da V.tal aumentou para 65,3%.

 

CUSTOS ELEVADÍSSIMO COM ALUGUEL MESMO COM RENEGOCIAÇÃO COM A VTAL

 

Os custos que a Oi tinha com a Vtal eram superiores aos cobrados por outras redes neutras. Inicialmente, a Oi deveria pagar cerca de 100 milhões por mês; porém, ao longo do contrato, mesmo com a perda de clientes, os valores mensais aumentaram. Isso acabou gerando prejuízo para a empresa e fazendo com que a operação da rede de fibra também se tornasse deficitária.

 

REDUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DE 31,21%, PARA 17% EM TROCA DE R$ 1,52 BILHÃO EM ECONOMIA

 

A Oi acabou perdendo 14,21% de participação na V.tal em troca de uma economia estimada de R$ 1,52 bilhão nos aluguéis da rede, benefício que se iniciaria em janeiro de 2025.

 

No entanto, em março de 2025, a V.tal adquiriu a operação de internet fibra da Oi. Com isso, a companhia não chegou a usufruir integralmente do desconto ao qual teria direito.

 

VTAL PAGA R$ 5,6 BILHÕES PELOS CLIENTES DA FIBRA EM TROCA DE 10% DE PARTICIPAÇÃO

 

Algo que chama atenção é a venda de R$ 5,6 bilhões ter resultado em apenas um aumento de cerca de 10% de participação na V.tal, enquanto a Oi perdeu 14,21% de participação em troca de R$ 1,52 bilhão em “descontos” nos aluguéis.

 

Fazendo uma regra de três simples, se mantida a mesma lógica, R$ 5,6 bilhões deveriam representar um aumento de participação muito maior — algo próximo de 52% na V.tal — considerando que a perda de 14,21% ocorreu em troca de apenas R$ 1,52 bilhão em descontos nos aluguéis.

 

V.TAL CONTROLA R$ 3,6 BILHÕES EM 2,5 MIL IMÓVEIS DA OI EM COMODATO POR 30 ANOS

 

Com a venda da operação de fibra, a Vtal passou a controlar cerca de 2.500 imóveis da Oi em regime de comodato, ou seja, podendo utilizá-los gratuitamente por um período de 30 anos.

 

VTAL COM DIREITO A 50% DA ARBITRAGEM DA OI

 

Algo que também foi questionado, inclusive pela própria Justiça, é o fato de a V.tal ter direito a 50% dos valores obtidos em eventual arbitragem. Pelo acordo, caso a Oi vença a arbitragem e o valor ultrapasse R$ 14,8 bilhões, o montante excedente deverá ser dividido igualmente: 50% para a Oi e 50% para a V.tal.

 

BTG OFERECEU R$ 4,5 BI POR FATIA DA OI NA V.TAL, 63% MENOS QUE O EDITAL

 

O término desse relacionamento pode ocorrer com a venda de toda a participação da Oi na V.tal, que atualmente corresponde a 27,5%, por apenas R$ 4,5 bilhões ao grupo de fundos do BTG.

 

 

https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/6aebbd40-9373-4b5a-8461-9839bd41cbbb/c6d7205b-5b5c-8b4c-43ab-668be8a11fb2?origin=1

https://teletime.com.br/10/06/2022/veja-um-passo-a-passo-da-operacao-entre-oi-btg-pactual-v-tal-e-globenet/

https://telesintese.com.br/oi-vai-pagar-menos-pelo-uso-da-infraestrutura-da-v-tal/

https://teletime.com.br/25/09/2024/v-tal-leva-unidade-de-clientes-da-oi-apos-proposta-de-r-56-bilhoes/

https://teletime.com.br/10/03/2025/veja-no-boletim-teletime-a-oi-fibra-vira-nio/

https://teletime.com.br/13/11/2025/entenda-a-distribuicao-de-recursos-da-arbitragem-da-oi/

https://convergenciadigital.com.br/governo/crise-da-oi-administrador-aponta-r-197-bilhoes-em-dividas-fatia-da-v-tal-e-imoveis-valem-r-172-bilhoes/

https://telesintese.com.br/falencia-da-oi-justica-bloqueia-valores-da-v-tal-e-da-arbitragem-com-a-uniao/

 

 

 

 

 

 

 

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