Sindicatos cita desastrosa gestão de Bruno Rezende na Oi e acusa gestão de expropriação de ativos

Bruno Rezende, interventor na Oi sofreu várias críticas de acionistas, inclusive diversos acionistas procuraram órgãos competentes para o acusar e buscar esclarecimento sobre gestão “peculiar” de Bruno Rezende na Oi. Agora foi a vez dos sindicatos criticar a gestão do interventor.

A decisão pela liquidação da Oi é vista pelos sindicatos como um grave sinal de desprezo pela função social que a concessão de telecomunicações representa. “A Oi não é apenas uma empresa; sua infraestrutura, em muitas regiões do país, é a única garantia de comunicação e inclusão”, destaca a carta enviada pelas entidades.

Os trabalhadores afirmam que a intervenção judicial instaurou um “caos gerencial” e aprofundou a crise da companhia. Segundo eles, a possível quebra da operadora coloca em risco a segurança financeira de milhares de famílias que dependem direta ou indiretamente da empresa, além de ameaçar um dos maiores fundos de previdência do setor de telecomunicações.

O documento também ressalta a importância estratégica da Oi em áreas onde outras operadoras privadas não atuam, especialmente no interior e em regiões isoladas. A infraestrutura da companhia, segundo os sindicatos, é essencial para manter serviços de telefonia fixa, internet e comunicação institucional em escolas, hospitais, delegacias e órgãos públicos. Além disso, sustenta a conectividade das agências lotéricas, que servem como pontos de acesso bancário e de pagamento de benefícios sociais a populações de baixa renda.

Para as entidades sindicais, a recomendação de liquidação da Oi desconsidera alternativas financeiras ainda em curso, como a conclusão da arbitragem entre a companhia e a Anatel e a possível liberação de depósitos recursais vinculados ao processo — recursos que poderiam reforçar o caixa e viabilizar um novo plano de reestruturação. O documento também destaca o potencial de receitas provenientes da venda de ativos remanescentes, da negociação de carteiras de recebíveis e de arbitragens contra terceiros.

Os sindicatos criticam ainda decisões judiciais recentes que, segundo afirmam, beneficiaram concorrentes, como a transferência, sem compensação financeira, do contrato de comunicação do Cindacta — órgão responsável pelo controle do espaço aéreo — para outra operadora. Para os signatários, medidas como essa configuram uma “expropriação de ativos” e reforçam a percepção de que a liquidação estaria sendo conduzida como um desfecho inevitável.

Na carta, as entidades solicitam que o Judiciário reavalie a recomendação de liquidação, que o Executivo e o Legislativo acompanhem de perto o processo e que sejam assegurados transparência e controle público sobre as decisões envolvendo a desmobilização dos ativos da empresa. Também pedem a preservação dos empregos, do fundo de pensão vinculado à Oi e da continuidade dos serviços considerados estratégicos para a inclusão digital e financeira do país.

“O Brasil não pode permitir a destruição de uma empresa de telecomunicações de tal relevância, nem o sacrifício de milhares de trabalhadores e do acesso à comunicação em regiões vulneráveis, apenas para atender à lógica do curtíssimo prazo e aos interesses de terceiros”, conclui o documento.

Fonte: Convergencia Digital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *